sábado

não te encontro no meu procurar.

por mais que ande e pense...
por mais que eu tente...
tu continuas dentro de mim.
posso viver longe, não te tocar nem saber de ti, mas continuas vivo dentro de mim e é contigo que eu falo todos os dias.
é a ti que te conto os meus medos, as minhas alegrias, as minhas conquistas e por cada uma, penso que estás longe e que da minha vida já não fazes parte.
faço um esforço para me recordar da tua voz, mas ela já vai longe e a minha memória apagou. Apagou os teus sons.
mas não apagou o teu sorriso e o teu riso.
o teu olhar terno continua a preambular entre os meus secretos desejos de te encontra numa qualquer rua de Lisboa, onde o tempo irá parar e eu irei entrar dentro de ti e tu deixar-me-ás entrar. deixar-me-ás estar.
não te abandonei vento, apenas me refugiei da tua força para conseguir viver e sobreviver à tua experiência. ao teu ser.
continuas visceralmente dentro de mim.
espero que um dia, sem perguntas ou explicações te encontres comigo e me deixes entregar-te este tão grande amor que tenho.
vivo a fingir que não te sinto.
vivo sem saber viver sem ti.
procuro-te no céu, no arco-íris e nas estradas de luz com que me cruzo.
procuro-te na velocidade em que imprimo ao meu tempo ansiando a tua vinda.
procuro-te no espaço perdido entre o mar e a areia preta que me aquece os pés.
procuro-te dentro de mim e encontro-te em todos os meus poros.
sonho contigo e que estás bem.
sonho-te um dia perto de mim.
amo-te como sempre amei.
estou por aqui e por aí...

segunda-feira

...um e-mail enviado!

Não sei se sei definir intimidade, mas sei com toda a certeza que a partilha que pretendo ter com os que me são mais próximos, é de intimidade.
Conceito abstracto ou concreto - na sua vertente literal ou como metáfora-Isso não me interessa.
Não consigo conceber amizade sem espaço para a partilha da importância da morte e da sua naturalidade.
Como poderei eu conhecer alguém se não sei o funcionamento básico das suas preocupações diárias?
Ou talvez possa!
E tenho um conhecimento daquilo que essa pessoa me quer dar.
Se assim for, que assim seja!

Questiono-me então:
- Onde guardas a tua alma?
- A quem a queres mostrar?
Apenas a um ou outro ser que passe por mim e fique.
- Mas fique como? Que te acompanha todos os dias e a todas as horas?
Apenas a um ou outro ser que passe por mim e fique.
- Então a um ser imaginário! Um duende ou uma fada!
Sim, refiro-me aqueles seres que têm poderes e me transportam para mundos irreais de sonho e de magia.
-Ahhhh, esses seres que nos ajudam a viver o dia-a-dia tal como imaginamos, mesmo que essa não seja a nossa realidade. Aqueles seres que te ajudam a abstraíste das más situações?!!?! Um mundo irreal, talvez o mundo das ideias?
Não, não e não.
Porque teremos nós que pensar que no mundo das fadas e dos duendes nada de mal acontece?
Então e as bruxas? E as maçãs envenenadas?
Eu refiro-me aqueles seres encantados que me dão a mão quando preciso, que choram quando choro e que me dizem:
NÃO!
Que me dizem que estou errada, que me dizem que não concordam e que até se esquecem de mim.
Esses seres não são muitos, mas estarei cá, sendo e existindo, para partilhar a importância da vida e da morte e da doença e da dança e do choro e do riso e de tudo o que lhes for na alma, mesmo num ou noutros e-mails sobre a existência de vida em Marte ou da insignificância da minha/nossa vida quando comparada com as explosões nucleares existentes no interior das estrelas ou de cisões nucleares como a Hiroshima
Tudo isso e o nada fazem parte de ti, da Isa, da Isis e de mim. Do nós que construímos diariamente.
Beijo-vos porque acho que a não partilha é a não existência!
eu

...conversas desconversadas

>Já estás na Terceira?
Ainda não sai, vou-me embora amanhã.
>continuas solteira?
dúvido que alguma vez deixe de o ser.
>Que tens feito?
trabalho, trabalho, trabalho.
>Estás feliz?
não sei!
>Qual é a cor das meias que tens calçadas?
cor de rosa, mas como ficam mal com a roupa, estão escondidas.
>Com vão os teus caracóis?
Pintei-os este fim de semana, mas não se vê.Sou gozada por isso.
>Queres ir almoçar comigo esta semana? Se não.
Jé vens tarde. :(
>Queres ir jantar comigo esta semana?
Só resta hoje à noite...não vai dar, mas..
não vou à merda… : )
QUERES VIR TOMAR CAFÉ HOJE À NOITE À PRAIA DA VITÓRIA(a partir das 9:30)?AO MIRA-MAR?
se sim, manda-me uma msg de telemóvel ou um e-mail.
um beijo com o drobo da saudade do último:)

e-mail não enviado

Sim curti.
Quando lá cheguei estava um pouco ausente. Apenas observei.
Já estava sóbria : )
...devagar fui-me deixando ir e deixando o personagem que olha de fora.
Virei-me para dentro e sim, dancei!
Alturas houve que me questionava se estarias tu também a curtir e embora eu não te conheça e nunca te tenha visto antes a trabalhar, senti que a pessoa que ali estava trazia mais uma peça ao puzzle que vou construindo de ti e o mais bonito, é que essa peça não era desconhecida, encaixava perfeitamente.
Quando vim aqui escrever este e-mail tinha em mente descrever o meu sentimento e as oscilações dos pensamentos que se passaram pela minha mente...as viagens que fiz enquanto estava ali a dançar, a ouvir e ver-vos aos três, mas não fluí e sinto que não fluí porque tenho medo de estar de alguma forma a entrar por um qualquer espaço definido por ti e que eu entendo que devo respeitar mas que de facto não me apetece muito fazê-lo.
Mas ao mesmo tempo, não o quero transpor.
Indefinida a minha cabeça!
Mas sinto uma vontade grande em escrever estórias contigo e partilhar outras. Mas não me apetece definir dentro de mim um espaço limitado por umas linhas que eu não sei se as quero escrever.
Não te consigo explicar este sentimento, pois é um pouco complexo, mas não me apetece definir porque isso é perder a espontaneidade e contraria a minha natureza e fico sem saber bem o que fazer comigo!
Bem, reli estas linhas e vejo-me demais aqui e por isso não te envio este e-mail.

terça-feira

Será que por sermos portugueses temos o fado dentro de nós?

---------Se tivessemos nascido e vivido noutro qualquer espaço do nosso planeta, onde não existe este conceito de fado, teriamos nós este sentimento?
-------------
Ontem fui ao concerto de José Cid e foi nesse concerto que me apercebi que o sentimento que tenho e que muitas vezes não o sei explicar, uma tristeza que não tem sentido, uma melancolia que tende em ficar, seria o fado que em mim há. Aliás, questionei-me pela primeira vez se seria o fado...e um amigo virou-se e disse-me:
sim tania, tu tens essa coisa do fado dentro de ti.
Não sei bem se o disse como crítica ou apenas como constatação, mas fez-me pensar sobre o fado pela primeira vez.
Isto tudo surgiu porque estava a explicar à minha prima Kelly o que era o fado, e perante a minha explicação percebi que em vez de culpar as estrelas ou os desiquilibrios hormonais, poderia simplesmente culpar o fado que em mim há!
O estranho é que eu não me identifico com essa coisa do fado...o som (dramático demais)....a postura tipicamente portuguesa de cramar sobre a vida (e pouco ou nada fazer para alterar).
Mas sim, sou lamechas.
Sim, penso no meu passado.
Sim, sou melancólica.
Sim, sou chorona.
Mas não, não anseio voltar atrás no tempo.
Não, não voltaria atrás para alterar as coisas que já fiz.
Sim, sou optimista!
Sou bem disposta!
Sou uma pessoa da manhã, do dia, do Sol!!
Então porque encontram em mim sinais claros de fado?
...e vocês têm o fado dentro de vós?

domingo

faz sentido?

não sei se faz sentido.
mas sentido faz, aliás, faz todo o sentido.
Apaixonar-me por alguém que nada tem comigo?
Bem...tem tudo.tem sentido.
Mas não vou entrar na dança de fazer ver que faz sentido...
Se vir...viu.
Se não,é porque não fazia sentido.
E eu...continuarei por aqui e por ali à procura do sentido que faz.

sábado

existe alguém?

Pergunto-me tantas vezes se existirá algures alguém...
Quando o tempo passa e tarda em aparecer alguém, questiono-me.
Existe alguém por ai?
Torna-se difícil acreditar quando não estamos na rede...quando não no sentimos em sintonia...as coisas não acontecem.
Acreditar numa ideia que não se concretiza.
Acreditar em algo que não vemos, implica
…e essa nem sempre está lá!
Prossigo à procura - num misto de esperança e de desespero - sem definir bem qual seguir.
A definição tem subjacente a ideia inflexível do ser.
Não quero definir...tenho medo de incutir o desespero e nada mais ver com olhos de esperança.
Mas tarda em aparecer alguém que me faça crer!
Busco no meu interior essa fé, pois sei que tem de vir de dentro, mas por vezes ela esconde-se nas entranhas do meu ser. Não a vejo, não a sinto.
É tão simples o que procuro, mas está a ser tão complicado encontrar!

quarta-feira

enTRAdas e SAidas

Somos o que deixamos entrar ou somos o que deixamos sair?
Penso muitas vezes nesta dicotomia das entradas e saídas de seres na minha vida.
Uns entram para sair logo de seguida. Outros há, que espreitam e nem entram...
Ainda há os que entram e jamais saem de dentro.
Entranham-se.
Estes últimos, vulgarmente chamados de amigos, fazem estragos.
Mexem e remexem. Balançam o que cá existe e questionam o que de mais seguro nós temos: o nosso ser.
Então posso concluir, que sou o que deixo entrar dentro de mim.
Por outro lado aquilo que deixo sair, é aquilo que os outros conseguem ver.
Mesmo que não me mostre completamente. Ou mostre aquilo que não sou.
Sou aquilo que mostro momentaneamente, sou aquilo que mostro. Mesmo que no dia seguinte queira mostrar outra coisa.
Sou o que sai de mim! Porque tudo o que sai de mim é meu…Altamente condicionado pelo que entrou em mim!
Fico então nesta espiral de entradas e saídas...perco-me no labirinto de mim mesma à procura do que sou e do que os outros são dentro de mim.
Percebo muito bem que sou um pouco de vós.
Vejo claramente dentro de mim um pouco de vós!
Ainda bem que são o que são e por existirem dentro de mim.
A minha existência agradece!

terça-feira

o meu outro eu...

...igual a mim.


...mais um.

é assim.
Sinto-me assim.
Sinto que o meu coração ficou aberto a algo que não vai acontecer...

segunda-feira

Cansada...mas bem!

Aqui estou...
um pouco cansada.
Quando o mundo das contrariedades não se vai embora.
Quando o sentimento que se pensa inexistente, apenas está escondido.
Quando, sem querer, me lembro que esta é a minha vida.
Quando acontece...
quero mudar!
Voar sobre um mar azul e numa estrada de luz.
Infinito.
Azul.
Sinto-me bem...mas cansada.
Não desisto, pois.
................Seria bem vindo o não fazer NADA!
AÇIUGERP À OTIERID UEM O.....................
Afinal

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,

Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam

Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,

Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.

Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!

Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,

Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.

Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.

Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.

Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...

Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.

Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,

A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!
Álvaro de Campos
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(..)

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(...)
Álvaro de Campos

quarta-feira

terça-feira


Salvador Dali Galatea de Esferas

sexta-feira

Primavera

hoje começa a primavera...
Tive um dia cheio de concretizações. Correu muito bem!
Andei de carro com o Sol a entrar-me pelos olhos. A encher-me os poros.
Não te tive a ti.
No final do dia a única coisa que queria era estar contigo.
Sentir-te bem e feliz!
Queria tanto abraçar-te, olhar os teus olhos doces e beijar-te.
Beijar-te tanto que a magia do teu beijo seria o sangue das minhas veias.
Deixar que o meu corpo flutuasse junto do teu.

Sinto a tua falta.

Sinto-me no meio de uma metrópole, onde o tempo passa, os carros andam, os edifícios são grandes... e eu... tão pequena.
Assim me sinto sem ti. Hoje sinto a tua falta.

Hoje tenho saudades de um outro dia de primavera em que plantei a árvore que tu escolheste.
Lembras-te?
Era uma romãnzeira.
Lembro-me desse dia tão bem!
Descobrimos muito nesse dia. Descobrimos que novas vidas existiam... outras vidas.
Mudámo-nos, lembraste?
Fomos nessa noite de primavera para a nossa casa - de pé direito alto, chão de madeira.
Tirámos as portas.
Dormimos no chão.
Sim, foi nesse dia de inicio de Primavera que decidimos.
Sim, eu sei, eu decidi. Tu já estavas há algum tempo convencido.
Sorriso nos lábios, árvore plantada, malas feitas e lá fomos nós. Os dois. O mundo ficou para trás.

Lembro-me tão bem!
Lembro-me de me declares o teu amor por mim. Lembro-te sentado na casa de banho. Lembro-me a pairar.

Lembro-me de ti e sinto a tua falta.

mesmo que a vida mude os nossos sentidos...

mesmo que o mundo nos leve para longe de nós...



eu vou guardar cada lugar teu...

sábado

é muita coisa...

Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.

Choose your future.

Choose life.

Trainspotting
John Hodge